Sexta-feira, Julho 17

Pedro Pires. Um título curto e ponto final.

Nem todos os homens são iguais e a diferença não está no tamanho, no peso ou na pigmentação da sombra. Há indivíduos que fazem parte da história e há uns que simplesmente são a história duma geração, duma época e duma Nação. E Pedro Pires é destes homens – cabe por inteiro na grandiosidade da Nação cabo-verdiana. É herói e co-construtor da confiança de que o destino do arquipélago nos pertence. Político e homem, como assim é: acertou e errou como os mais normais dos sujeitos, mas no final da sua obra só nos resta aplaudir.

Pedro Pires é corpo e alma da nossa maior vitória − a Independência, assim como mais corpos soltos pela aglutinação do sacrifício. Soldado de campo de batalha, de arma na ressurreição de velhos sonhos e vontades nas estações da revolução. Ângulo no vértice de dois povos que se cruzam num dado lugar, na certa hora e num futuro distante para ser construído com trabalho e ombro. E de ombro a ombro foi se fazendo um país com quase nada, um zero maciços de espírito e de inteligência, um zero que multiplicado ergue: paixão, pessoas e cabeças. E é assim que sentimos orgulhosamente cabo-verdianos pelo que fomos capazes de edificar sobre o zero dos sorrisos.

Nem todos os seres humanos são iguais e nem todos os homens precisam de ser idênticos nas ideias e nos projectos, mas necessitamos que todos saibam quando é preciso mudar – tornar-se noutra coisa. E aqueles que têm mor dimensão, nestes bocados de tamanhos que são as pessoas numa sociedade, têm também superiores responsabilidades nas mudanças que se respira no momento – e a democracia era imprescindível. E Pedro Pires soube interpretar a largura da sua dimensão e mudou juntamente com o meu país por que precisávamos constantemente de evoluir.

E por que os homens são feitos de enganos e de sabedoria, mesmo assim são criaturas que podem inspirar as vindouras famílias humanas. E se todos independentemente do volume da nossa individualidade deixarmo-nos insuflar pela fé humano de outros homens tornaríamos maiores que as duas sombras.

Pedro Pires (clique aqui)

retira-se da política em 2011


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