Este texto é para os que ocasionalmente passam por aqui
E amavelmente para aqueles que teimam em ler as minhas coisas estúpidas.
Desmistificações de traços que venho criando, muitas vezes num lance literário e quando acerto no texto a êxtase do aprendiz de sapateiro. A literatura continua a ser a ressonância do fantasma e da respiração da roupa que enchem o pulmão dos objectos que me circundam: um copo de água a transbordar no leito do rio; um ovo revestido de marfim, fechado na sua casca tentando tactear o mundo aberto; as lâmpadas acesas dos corredores duma cidade sem transeuntes noctívagos e às vezes na companhia do vazio vou apagando os rastos dos sonhos no asfalto, e no final da estrada com o cansaço do corpo deito-me num banco da Praça transversal com a Avenida. A embarcação viaja disparada contra o papel em branco, a tinta esferográfica – um azul fosforescente intensamente mesclado nos tecidos alfabetos impronunciáveis, só gesticulados na dança das expressões faciais do rosto. E assim sendo, os acontecimentos extraordinários e fúteis emergem do real e da fantasia para serem descritas em episódios insólitos, como tinha acontecido uma vez com a queda da pedra do céu para chão.
A fotografia. Subsequência de movimentos, tactos e olhares capturados e afixados na parede; não quebra o ritmo da ocorrência, as coisas vão continuando a fluir no seu caudal de estórias e incidentes. O facto de a retina recriar e reter imagens, arte de fotografar − a imagem na sua textura é uma outra realidade com milhões de tonalidades sóbrias e formas compactas – sendo a fotografia uma metáfora plural do universo, como a mecânica do bater das asas do insecto, a arquitectura do ninho, a velocidade do vento, a sincronia dos peixes a perscrutar o fundo do oceano. Todas estas geometrias indefinidas, inundadas de sombra e circunspectas na claridade da luz tem um corpo redondo, quadrado, cilindro; lisas e grossas. São estes ângulos onde os vértices tocam ou se alargam entre as pontas, formando um ângulo de 180º dum bico a outro pico – o horizonte. No horizonte a eternidade prolonga até o infinito, as civilizações desconstruíram os seus pavores e medos sondando os astros e as estrelas.
5 comentários:
meu caro a tua escrita continua poderosa e de muito e bom teor literário. Tens todavia de precaver-te contra gralhas e erros gramaticais grosseiros. CONTINUA, MAS DEPURANDO A ESCRITA
Eu teimo em ler-te porque escreves bem! Muito bem mesmo! Como podes ser cabralista comunista?!
Anónimo I,
tenho feito os meus esforços e OBJECTIVO é tornar-me ainda melhor no que faz. Por isto tenho este espaço para sentir estas pressões positivas, de pessoas que me lêem e me corrigem. Obrigado por ser um leitor atento. Penso que são estes leitores que fazem o escritor melhor.
Anónimo II,
O que é que eu poderia te dizer (?). Gosto de escrever e ganhei o prazer o expor os meus textos. O segundo ponto, Cabralista no sentido de que devemo-nos todos contribuir para o desenvolvimento do bem-estar colectivo, sacrificar se preciso por uma ideia comum e outras coisas que positivas de Cabral, terei de te dizer que sou. Mas não sou Comunista, não é que vejo mal nisto, mas tenho outra ideologia.
Caro Rony,
Concentra-se e dirige as suas forças e capacidades para a sua escrita criadora e inteligente. Dispensa aqueles que continuam com golpes baixos e que não respeitem a liberdade de pensamento.
Voltaire já dizia que "a tolerância é o património da razão"
Um abraço!
Pina Mendes Garcia,
não desviarei um milímetro dos meus propósitos, quando criei o blogue um dos objectivos era deixar as pessoas lerem aqui que escrevo e acima de tudo melhorar a minha escrita. Quando a nossa maneira própria dos cabo-verdianos isto dá-me gozo e prazer. Quanto a dica do Voltarei sugarei todo o conteúdo que esta ali escrito.
Abraço!
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