Alguma vez já chegaste a questionar sobre a sua liberdade de facto, a natureza da sua vontade e as orientações das suas acções (?). Necessariamente não é preciso que seja uma reflexão aprofundada, de um teor filosófico sustentado pelo magnetismo dos grandes génios da filosofia. Já alguma vez pensaste no país; na estrutura do Estado cabo-verdiano e do condicionalismo de muitas decisões tomadas no corredor do poder. Em algum momento chegaste a interrogar quais são de facto as maiores estruturas da sociedade dita democrática do arquipélago. É sobre isto que tenho pensado neste últimos dias, conjugando todos os acontecimentos relevantes, para chegar à terrível conclusão de que para além dos argumentos teóricos das ciências sociais [Sociologia, Direito, Ciência Política], na prática toda a estrutura vital do Estado Democrático ― Direitos, Poderes, Representatividade Democrática, Órgãos de Soberania; não são mais do que ilusão óptica. Na verdade a grande estrutura que comanda e ordena as nossas acções e vontades [que deixaram de ser livres, dominados por vontade e lucidez pessoal] tem sido os grupos directórios dos dois grandes partidos políticos nacionais. São os Conselhos Nacionais ou Comissões partidárias que decidem e actuam por nós. Perigosamente a nossa democracia vem sendo adaptada para encaixar na moldura antidemocrática dos grandes interesses económicos da minoria empresarial.
A partir do momento que começamos a pensar pela nossa cabeça, articular todas as informações adquiridas, começarmos a construir os nossos próprios argumentos e a administrar as nossas vontades [principalmente compreender a origem das vontades e as suas orientações], estaremos em condição de avaliar os limites da liberdade e, compreenderíamos quão escravos somos hoje de vontades que não são nossas propriamente. No futuro teríamos forçosamente de mudar o rumo da sociedade ― restaurar a República― para que a Nação não se precipite para o caos e desordem. Podemos desejar criar uma sociedade obtusamente individualista e consumista, mas não percebemos que o ser humano não foi feito para viver isolado. Imperiosamente, por razão de natureza humana, os Homens são obrigados a viver em grupo e na sã convivência ― na condição de livres e unidos. O país vai entrar na campanha presidencial, por isto, devemos pensar em tudo: na estrutura social; na administração da liberdade individual; nos sistemas da estrutura e principalmente que sociedade de homens pretendemos construir para as gerações futuras.

0 comentários:
Enviar um comentário