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Quinta-feira, Junho 30

A pedrada da largada para alavancar a pedra do céu

Numa linguagem de homem das ilhas, de quem conhecia bem a necessidade da gente do arquipélago, Renato Cardoso, numa das suas composições de intervenção, escreveu que “kada simbrom tem direitu na sê gota de águ”. Renato Cardoso, entre muitos outros, idealizara a democracia, mas uma democracia igualitária, que ponha os homens em pé de igualdade e principalmente a ética e a moral sociopolítica que melhor servia os ilhéus d’altura. O que temos hoje diante dos olhos [um quotidiano cabo-verdiano excessivamente preenchido pelos caprichos duma minoria bipartidária, dominado quase que pelo genuíno interesse de grupo ou conjunto de pertença], que precisa urgentemente ser mudado; o poder não pertence exclusivamente aos “visigodos da República” [e de muitos que se encostam à proa dos bons ventos das benesses]. Se olharmos atenciosamente o funcionamento das estruturas de bastidores dos partidos políticos, chegaremos à conclusão de que os Conselhos Nacionais (ou órgãos com semelhantes poderes) dos partidos da circunferência do poder estão a transformar perigosamente nas estruturas decisórias de tudo que respira, nasce e morre no arquipélago da política cabo-verdiano.   

Para os jovens, este é o nosso momento, sem ser mal interpretado, esta é a nossa luta ― devemos lutar pela correcção da rota bipartidária; devemos desejar uma democracia participativa, onde a governação seja uma cooperação entre os governantes e os cidadãos. Para os jovens, principalmente aqueles que sentem que assim como está não pode ficar, temos a obrigação de defender um modelo de sociedade melhor. Talvez, sem querer ser pretensioso, uma sociedade onde os partidos políticos desempenham as funções dos partidos políticos, sem forçar para estar presente em todas as decisões e sorte dos cidadãos. Se, observamos cuidadosamente, a última grande pedra histórica a ser colocada no andamento biográfico do arquipélago, tem a marca de 13 de Janeiro de 1991. A última vez que mudamos o caminho da nossa vida colectiva ― está afastada na longínqua década de noventa do século passado ― fizemo-la juntos, inspirados na esperança de que iriamos conseguir mudar a trajectória da rota política que deixamos de acreditar que fosse boa para todos nós. Hoje temos que ser nós, os jovens, a colocar  a próxima pedra histórica. 

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