O processamento democrático das ilhas crioulas aconteceu com alguma naturalidade, havendo alguns hematomas e escoriações; uma marcação homem à homem um pouco frouxa, comparando com outras latitudes e fronteiras. Abreviando, o nosso processo democrático saiu da linha de montagem histórica como se fosse um procedimento natural de evolução: sem avarias no arranque e potência na intenção ─ muito embora a contragosto duma boa parte da classe dirigente conservadora do Partido Africano de Independência de Cabo Verde.
Todavia se o arranque democrático foi o mais aconselhável e saudável possível, neste últimos tempos, considerando os ganhos como sendo positivos a nível quantitativo; referimo-nos, por exemplo, aos níveis do Índices de Desenvolvimento Humano. Na aparência qualitativa, onde se sobrepõe qualidades como o grau de participação cívica dos cidadãos no dia-a-dia, verifica-se uma estagnação na engrenagem na roda que faz andar o dinamismo democrático nas ilhas hesperitanas. Porém estando atentos nas mudanças das sociedades humanas que mais influenciam as alterações de comportamentos das restantes sociedades, podemos enxergar sem recursos a instrumentos de observação à distancia que cada vez mais revindica-se para uma maior equidade entre os cidadãos ─ os que governam e os que são governados. A igualdade de participação favorece a equidade de oportunidade; beneficia o empenho individual e fomenta a liberdade num país onde a população activa por ser muito dependente do poder público foi sempre muito obediente.E quando os partidos políticos assumem toda a estrutura do poder público central e autárquico ─ tornando a estrutura social excessivamente partidária ─ situações de exagero como: o abuso de poder, a corrupção e o favorecimento sucedem com maior facilidade. E para que haja uma mudança na atitude democrática só uma reviravolta na acção cívica poderá mudar este status quo. Não podemos dar ao luxo de termos uma sociedade comandada exclusivamente pelos partidos políticos, que no fundo só aquela estrutura de decisão ─ os Conselhos Nacionais ─ tomam pela mão o poder de decidir por nós. Por tudo isto, temos a obrigação de pensar numa mudança qualitativa da nossa democracia e sociedade, e a candidatura de Aristides Lima tem esta vocação, a vocação e a tendência de mudança. A cidadania deve tornar corpo na nossa forma de estar, se as outras candidaturas são boas candidaturas presidenciais, a candidatura de Aristides Lima é necessária pela cidadania.
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