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Terça-feira, Agosto 2

A DEMOCRACIA CABO-VERDIANA NÃO TEM NADA DE SILVESTRE. A CABEÇA LIVRE DA CIDADANIA.


No calor duma discussão amigável embora com a bolha da ebulição fervendo nas contraposições e artilharias pesadas apontadas contra todas as argumentações; para o meu amigo anónimo, na sua eloquência e entendimento, o nosso sistema político não passa de elementar, ou seja para o melhor entendimento do leitor, a nossa democracia não passa duma célula simples que cumpre o básico para ser designado como tal. Tive de lhe dizer a contragosto que a nossa vivência democrática mesmo sendo medíocre e de estar num estado elementar, não era uma democracia silvestre ─ da vegetação que medra espontaneamente, que não precisa ser cultivada pelo homem; selvagem, selvático; bravio.
Para o meu amigo de rodas de cerveja e visitas a domicílio, por mais fervor que a candidatura de Aristides Lima pudesse dar à cidadania, o cidadão cabo-verdiano é excessivamente obediente e nada dado a valentia de defender os seus direitos e que por isto a nossa democracia não era mais do que silvestre. Tive de lhe corrigir a perspectiva e mostrar-lhe que o cidadão cabo-verdiano consegue mirrar bem a sua consciência de voto, que tem o tino e sentido de oportunidade ─ um pressentimento felino na mudança e uma pontaria certeira no cruz da história.
No decorrer da discussão, quando o vapor de água tinha condensado o seu raciocínio filosófico ─ argumenta com alguma lógica que o nosso sistema político-administrativo tem os olhos excessivamente fixos nos corpos partidários, isto é, embora muitos estejam desapontados com a partidarização de toda vida social cabo-verdiana, na hora da decisão o cidadão mesmo ciente de que as eleições presidenciais não são partidárias, irão votar de acordo com as orientações partidárias. Tive de lhe sintonizar a antena e as ondas FM de entendimento, demonstrando que estamos perante um acontecimento histórico e a experimentação duma nova vontade popular ─ de que o momento era da cidadania. E a lógica da demonstração era fácil: qualquer indivíduo no arquipélago consegue captar as múltiplas designações da sua individualidade. Há momentos em que o indivíduo é peão ao atravessar a rua; é cliente na caixa registadora duma loja; é paciente no banco de Urgência Hospitalar; assim como, quando veste a pele de cidadão que escolhe o direito de como exercer a sua cidadania. É esta convicção e fé na cidadania da consciência livre que me leva a acreditar no cidadão cabo-verdiano, que me faz acreditar que cada cidadão das ilhas deseja sempre o melhor para a sociedade e o futuro de Cabo Verde. De que a nossa democracia precisará sempre de homens para cultivar a sua evolução e que agora vamos podar a erva daninha da excessiva partidarização da vida social cabo-verdiana.      

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