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Quinta-feira, Outubro 13

Prémio, prato Mo Ibrahim. Proibição juvenil e o dever cívico tal Kant. Uma pequeníssima nota de manifesto electrocutado.

A atribuição do prémio Mo Ibrahim pela excelência de governação ao Presidente Pedro Pires, pela sua contribuição na consolidação da democracia e prosperidade em África, trouxe como sempre no debate político arquipelágico, alergias cutâneas nas partes intimas, provocadas pelo ao mau habito alimentar de muitos dos nossos interlocutores da praça, tudo porque ingerimos por excesso: gordura linguística da lógica partidária ou também devido a conveniência história dos que perderam os lugares de proeminência na antiga estrutura social colonial ─ que privilegiava poucos filhos da terra, os que mais encaixavam nas métricas de assimilação.

Porém, mais importante que discutir estas questões secundárias (gorduras partidárias e fita métrica), debrucemos um pouco sobre a vocação e predisposição da geração pós-independência, que hoje encontra-se na idade madura de assumir algum protagonismo na tomada de decisões relevantes ─ no âmbito político. Nisto põe-se a questão: que jovens (ou quais os jovens) actuais são capazes de mobilizar ou de traçar uma ideia própria que seja válida para a sociedade futura? É lógico que estou a referir-me aos jovens que sejam socialmente reconhecidos, pela sua predisposição política genuína. E vendo de perto a situação, podemos afirmar sem reserva que existe um número considerável de jovens no círculo próximo do poder (tanto no partido da situação, como na Oposição). O Parlamento tem uma mão cheia de deputados nascidos depois da Independência ─ num regime semi-presidencial de pendor parlamentar ─ suficiente para se fazer ouvir e serem levados em conta. Então qual é o problema da inibição da camada júnior do Parlamento (e de ressonância nos partidos políticos)? Incapacidade individual para edificar uma sólida marca de dever cívico, e é desta incapacidade que as cúpulas partidárias servem-se (ou irão servir-se) para obstruir qualquer abertura à sociedade civil ou às acções cívicas organizadas.

O que nos dizem os grandes pensamentos filosóficos sobre esta questão? Em particular Emmanuel Kant. Kant, ensinamos no Fundamentos da Metafísica dos Costumes, que não é nem a razão e nem a natureza a nos impor o dever. Ele, o dever subtrai-se: de tudo que nos é estranho à moralidade; por outras palavras, é a moral que nos impõe o dever de agir; enquanto a liberdade é a subjectividade e responsabilidade da acção. Isto é, na correlação dos conceitos dever e liberdade kantiana, podemos entender que o dever é a liberdade subjectiva da acção sob forma de criarmos resistência à imoralidade das práticas sociais.

Nota de manifestação

Meus senhores e minhas senhoras, o Ministro da Energia Humberto Brito quer nos convencer que o fantasma Electra será apagado no primeiro trimestre do próximo ano. Mas se necessário for, menos assustado ficaria o Governo em 2012 com o espectro [ausência] do ministro Humberto Brito do que com o fantasma da Electra. Do que nos vêm à memória o Ministro Humberto Brito é o único ministro da tutela a estabelecer uma data para a exorcização de vez do fantasma Electra; e mesmo assim não se crê que a exorcização estará completa só com a divisão da empresa, [numa atitude mecânica do Moisesismo] para que a empresa normalize o fornecimento de água e de luz. Caro ministro, o senhor não foi solidário com a população que vem sofrendo a uma década com os péssimos serviços da Electra e pior com a entrevista o senhor acaba de vestir todo o fato-macaco da nódoa Electra, fato este que servia exclusivamente ao Governo e ao Primeiro-ministro José Maria Neves. Com a eleição autárquica que se avizinha, muito se vai discutir o problema de fornecimento de energia e água nos grandes centros urbanos, o seu nome estará colado ao problema, até porque o Primeiro-ministro não esteve presente no país no Setembro escuro de 2011.     

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